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 Slipping through my fingers...

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Athena
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MensagemAssunto: Slipping through my fingers...   Seg 15 Fev 2010 - 20:57

“Schoolbag in hand, she leaves home in the early morning
Waving goodbye with an absent-minded smile
I watch her go with a surge of that well-known sadness
And I have to sit down for a while”


Após voltar do cais no dia da partida de Ágatha à Midgard, Heitor decidiu caminhar por Rodorio. Um tanto entristecido, lembrava-se do dia em que decidiu que Ágatha não iria mais à escola, por considerar que a exposição da pequena deusa seria arriscada demais. Ainda assim, todos os dias no horário em que costumava sair para o colégio, a menina vestia seu pequenino uniforme e carregava a mochila cor-de-rosa.

- Querida, nós já conversamos... Agora você estuda em casa.

- Ah...

Heitor via o desapontamento do seu “pedaço de gente”. Muito pequena para entender por que sua segurança era tão importante, Ágatha ficava, então, chorosa, lembrando-se dos coleguinhas do primário.

“The feeling that I'm losing her forever
And without really entering her world
I'm glad whenever I can share her laughter
That funny little girl”


Alcançando uma pequena praça na vila, Heitor senta-se num banco perto de alguns jovens. Apesar de toda tristeza trazida pela destruição, ainda havia rapazes e moças ali, dispostos a sair pelas ruas rindo e brincando, jogando conversa fora... A esta altura o homem lembra-se de quando sua menininha começou a crescer e lhe dar mais preocupações. Ela simplesmente não entendia que não podia sair de casa, e ele da mesma forma não conseguia entender que ela precisava ser jovem ao menos uma vez antes de assumir suas responsabilidades de deusa. A preocupação constante não só por Ágatha ser sua filha, mas também por ser sua amada deusa não o deixavam ver que a moça precisava ser “normal”, ao menos em sua pré-adolescência...

As poucas vezes em que Heitor via a filha rindo traziam-lhe uma felicidade imensa, como jamais sentia em outros momentos. Mesmo hoje, com outras coisas em mente, preocupações talvez agora maiores devido ao fato de sua criança estar “exposta” aos perigos dos quais ele tanto a escondeu, uma alegria sem igual invade o peito do homem...

“Slipping through my fingers all the time
I try to capture every minute
The feeling in it
Slipping through my fingers all the time”


Heitor pousa as mãos sobre a cabeça, curvando o corpo sobre os joelhos. Ele não é muito emotivo, mas hoje... hoje seu coração traz um peso tão grande, por ver sua querida filha partir sem ele. Além disso, o pai de Ágatha sabe dos perigos que ela corre nessa viagem, não só por estar indo visitar terras desconhecidas por ela, mas também por estar “à mercê” de Odin. Bem que o velho tentou impedir que a filha partisse: no caminho até o cais, disse à filha que provavelmente aquilo era uma armação de Rögnvaldr, que ela deveria ter mais cuidado... De nada adiantou. Ágatha tinha força e vontade incomparáveis, e mesmo sendo pai dela Heitor cedeu. Afinal, ela também exercia sobre ele seu poder, uma vez que é sua deusa.

O antigo cavaleiro sabe que sua relação com a filha não é das melhores. Não porque ela o trate de forma inadequada por ser uma divindade. Ao contrário: apesar de jovem, Ágatha tem muitos momentos de extrema maturidade, e ele sabe disso. Contudo... seu coração de pai sabe que a condição de deusa da filha os afasta, e ele tem a constante sensação de perdê-la mais e mais a cada dia.

“Do I really see what's in her mind
Each time I think I'm close to knowing
She keeps on growing
Slipping through my fingers all the time”


E ainda existem os outros problemas, como, por exemplo, o de certos cavaleiros não conseguirem ter em mente que Ágatha não é só uma jovem, mas também é a força que mantém os santos de pé. Heitor lembra-se do dia em que viu o geminiano Daros, com quem há pouco estivera no cais, beijando sua filha. Ágatha cresce, e cresce rápido... Quanto mais seu corpo e coração se modificam, mais Heitor percebe a distância entre eles. Ele sabe que nunca poderá entender o que é ter um deus dentro de si, e por isso não sabe o que se passa na mente de sua criança. Sua menininha, um dia, não será mais sua; a divindade nela despertará por completo e, quando isso acontecer, ele e a filha não terão mais nada em comum...

“Sleep in our eyes, her and me at the breakfast table
Barely awake, I let precious time go by
Then when she's gone there's that odd melancholy feeling
And a sense of guilt I can't deny
What happened to the wonderful adventures
The places I had planned for us to go
(Slipping through my fingers all the time)
Well, some of that we did but most we didn't
And why I just don't know”


Uma lágrima teimosa escorre pelo rosto cansado do velho pai quando ele se recorda da manhã deste mesmo dia. A filha tomava uma xícara de chá; ele, café. Ágatha parecia bastante cansada; talvez não tivesse dormido bem, pensando na viagem que faria logo. A verdade é que Heitor também parecia não ter pregado os olhos.

- Ágatha...

- Hum?

A jovem parecia ter despertado de um sonho. Heitor fitou seu rosto por alguns segundos que, para sua percepção, foram anos. Tentou falar algo, mas não conseguiu. Logo a filha voltou a beber o chá e olhar para o vazio, com olhos cansados, sem perceber que o pai talvez tivesse algo importante a confessar.

Heitor pensava e, ao mesmo tempo, batia com a mão esquerda na cabeça, como se estivesse se punindo. “Porque não disse nada, seu velho burro? Porque deixou que ela partisse sem lhe dizer o quanto a ama, o quanto se preocupa com ela? Porque não disse que tudo o que você fez foi para a segurança dela...?”.

“Sometimes I wish that I could freeze the picture
And save it from the funny tricks of time”


O homem secou as lágrimas que lhe vieram depois da primeira. Levantando o rosto, fitou o vazio, recordando-se do abraço tímido que deu na filha antes que ela fosse. “Você poderia, ao menos, mostrar-se mais amoroso...”. Suspirando profundamente, foi-se embora, guardando na memória aquele momento que, para ele, seria o último com sua filha, até que ela voltasse sã e salva para casa.

Slipping through my fingers…

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