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 Templo de Atena

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MensagemAssunto: Templo de Atena   Seg 17 Ago 2009 - 9:00

Aqui se encontrava no passado a Estátua de Atena; é tradicionalmente também a morada da deusa. Muitos dos tesouros sagrados estavam aqui, mas a maioria se perdeu ou foi escondida quando da guerra. O templo sofreu devastação severa, mas está sendo reconstruído com toda a paciência e dedicação dos habitantes de Nova Rodorio.
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MensagemAssunto: Re: Templo de Atena   Sab 5 Set 2009 - 3:52

Depois de toda a atribulação do retorno, finalmente Ágatha pôde descansar. Deixou-se cair, como estava - vestida e de sapatos -, na cama que há pouco havia visto quando se dirigiu à câmara para encontrar o diário de Karen¹. Estava exausta.

A armadura, trazida de volta pela deusa, foi diretamente se colocar dentro do quarto de Athena, do lado esquerdo de quem entrasse, e não onde em tempos idos se quedava, juntamente à estátua da deusa. Quanto ao báculo, Ágatha levou-o consigo quando foi descansar, e o pôs junto à armadura antes de deitar-se.

Heitor, por sua vez, procurou acompanhar a filha. Estava cansado, de fato, mas não tanto quanto Ágatha. Depositou as malas no chão do recinto e viu a sua criança agir como se há muito conhecesse aquela câmara. Sentia-se orgulhoso dela, embora não entendesse - e não tivesse aprovado - a atitude que tivera com relação ao cavaleiro de gêmeos. Era um pai ciumento; não podia vê-la naquela situação, ainda mais na frente de todas aquelas pessoas...

Enfim, o pai zeloso aproximou-se da cama. Observou sua cria, aparentemente tão indefesa, num sono muito tranqüilo.


// O sono dos justos... // - pensou, sorrindo.

Delicadamente, para não acordá-la, tirou-lhe os sapatos dos pés. Depositou-os, lado a lado, perto da cama. Logo, pensou em descansar também. Vendo o divã, decidiu recostar-se ali mesmo. Pensaria, em comum acordo com a deusa, no melhor lugar para si quando acordassem.

E, assim, descansaram os recém chegados...


------------------------

¹ Vide tópico do Retorno: http://saintseiyaworld.rpgwars.org/arquivo-santuario-f39/retorno-t1031-90.htm
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Karen

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MensagemAssunto: Re: Templo de Atena   Sab 5 Set 2009 - 21:52

Vermelho.

Por toda a parte.

Só o que se via era o vermelho.

-Draixen... Caos... Minna*...!

Ela nem chorar mais conseguia.

Seu coração não queria mais bater.

Sua mente não queria mais funcionar.

Todos os que haviam morrido... Por ela. Em seu nome. Para que tivesse alguns momentos a mais de vida, eles se sacrificaram.

Não.

Era demais.

Demais. Demais. Demais!

Fechou os olhos. O mundo vermelho lá fora lhe era insuportavelmente doloroso.

E, de algum jeito, ali dentro doía ainda mais.

Pois ali ela via não os mortos, e sim os vivos. Rostos que lhe eram tão queridos, sorrindo-lhe em devoção. E ela pensava nos momentos felizes que tiveram juntos, todos eles, todos os Santos, alegres e risonhos.

...

Mortos.

Karen sentia as sombras da morte humana subindo-lhe pelas pernas, abraçando-a e levando-a para o sono eterno. Sentia-se... Não. Não sabia como se sentir. Tantas pessoas morreram para protegê-la, e ainda assim ali estava ela.

E ao longe ela podia ouvi-los todos, chorosos, amedrontados, rogando-lhe que os guiasse através do Mundo Morto, que mais uma vez fosse a luz brilhante e inspiradora naquela escuridão assustadora post-mortem.

Os olhos glaucos abriram-se, o mar dentro deles, antes infinito e fonte de coragem, agora se resumindo em poucas ondas bravas, cujo número diminuía à medida que absorviam o impacto do mundo vermelho que observavam. E o pavor aumentava numa proporção inversa às ondas, e seu corpo tremia, e as vozes assustadas ficavam mais altas, e as imagens dos dois cavaleiros de Gêmeos, tão queridos, desapareciam ao longe, fugindo de seu alcance, e ela estendia-lhes a mão, mas nunca podia alcançá-los, nunca, nunca...




Ágatha despertou, inquieta, trêmula; o pesadelo ainda orbitava sua mente, trazendo consigo sensações terríveis. Levantou-se, meio zonza ainda, e esquadrinhou o quarto. Sem ter muita certeza do que pensar sobre o sonho.

Heitor dormia no divã, o peito subindo e descendo lentamente conforme respirava, denunciando seu sono pacífico - igual ao da filha até momentos antes.

O divã...

O diário.

Era hora de obter algumas respostas.


-----

*Minna = galere. heh. falando sério, algo como "povo", "gente" - no caso, ela se refere a todos os santos.

Post feito junto da player da Ágatha! ♥
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MensagemAssunto: Re: Templo de Atena   Sab 5 Set 2009 - 23:49

Ainda atordoada, decidiu primeiro lavar-se antes de executar o que tinha em mente. Do lado esquerdo do quarto, perto de um pequeno armário, havia uma porta, que não notara ao adentrar a câmara pela primeira vez. Pensou que ali fosse um banheiro; dirigiu-se até lá, de pés descalços, e entrou.

O local, apesar de não ter sido utilizado por algum tempo, estava impecável: tudo muito limpo e organizado. Era simples, como a câmara, tendo o aparelhamento comum a qualquer casa de banho. Foi até a pia e abriu a torneira. Apanhou grande quantidade de água nas mãos e a jogou no rosto. Fitou-se no espelho pregado à parede: estava pálida...

Deixou-se estar pensando no pesadelo que tivera. O vermelho... os santos... o desejo dos seus guerreiros de ver Athena conduzindo-os... Quando percebeu que esquecera a torneira aberta, voltou a si; fechou-a e, de rosto molhado, voltou ao quarto.

Aproximou-se devagar do divã. Heitor dormia ainda; seus cabelos, de um azul muito claro, emolduravam suas feições austeras. Abaixou-se e, delicadamente, pôs a mão direita sobre o braço do pai, despertando-o:


- Papai...

- Hummm...? – murmurou ele, acordando.

Heitor sentou-se e olhou para a filha, que parecia ansiosa. Encarou-a por alguns instantes, ainda meio atordoado; mas pode percebê-la, tão lânguida, tão...


- O que você tem? Se sente mal? – perguntou, segurando a filha pelos braços.

- Estou bem, não se preocupe... Estás muito cansado? – falou, séria.

- Não. Parece que já dormi o suficiente. Desejas estar só?

Ele sabia; conhecia sua cria. Ágatha apenas consentiu com a cabeça. Era, de fato, o que ela queria: ficar sozinha para poder ler o diário deixado por Karen.

- Atenderei a seu pedido. É uma boa oportunidade para um passeio pelo Santuário... – e levantando-se, terminou - Fique bem.

Beijou a testa da filha e saiu, fechando as portas da câmara.

----------

// Vamos lá, então. Diga-me o que eu preciso saber, meu pequeno tesouro... //

O pensamento de Ágatha era quase um apelo. Abriu o pequeno caderninho e leu o cabeçalho da primeira página:


“ 22 de janeiro
Parabéns pelo seu dia, nii-chan! ” ¹



Respirou fundo. Conheceria, a partir daquele momento, a intimidade da antiga encarnação da deusa.


-------------

¹ Post criado junto com Karen
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Karen

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MensagemAssunto: Re: Templo de Atena   Ter 22 Set 2009 - 22:13

“22 de janeiro
Parabéns pelo seu dia, nii-chan!

Hoje o dia está lindo - o sol brilha intensamente no céu! É como se o Astro Rei estivesse também homenageando nii-chan. É tão lindo! Posso ver, em minhas memórias de Athena, uma das antigas reencarnações participando das comemorações, dançando, cantando, declamando poesias... Queria poder ir visitar Delfos hoje, mas as coisas no Santuário andam me ocupando muito ultimamente.

Draixen pegou flores da casa de Peixes de novo, hoje. Moo, ele sempre faz isso! Peixes anda reclamando que seu jardim está sendo devastado, e ainda assim aquele teimosinho me dá orquídeas sempre que nos sentamos à sombra das árvores. Não posso dizer que não gosto, mas... “


“27 de janeiro

Acompanhei o treino de alguns cavaleiros hoje. Eles são tão devotados! Não sei como me sentir quando os vejo dando tudo de sim em
meu nome... Se pudesse, faria com que todas as reencarnações daqui em diante admirassem a coragem desses jovens tanto quanto eu!”


E o diário continua; Ágatha o abriu mais ou menos à metade.

E agora, minha querida? Que página vai querer?


Última edição por Karen em Ter 20 Out 2009 - 12:37, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Templo de Atena   Qua 23 Set 2009 - 19:40

Ágatha manteve o diário aberto. Pousou-o sobre os joelhos, levemente, mas continuou segurando-o. Ficou a pensar nas palavras de Karen, no modo como descrevia os seus dias... É claro que o que houvera lido não lhe revelava o que pretendia saber: havia começado pelo meio, como esperava entender algo? Mas sabia que, se voltasse um pouco, e lesse algumas páginas do início, as coisas fariam mais sentido.

- Pois bem. Vamos à página primeira.

Disse para si mesma, voltando as folhas até alcançar o começo do diário. A primeira dúvida que lhe veio à mente? Bastante óbvia: como houvera se apaixonado por dois de seus cavaleiros?
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Karen

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MensagemAssunto: Re: Templo de Atena   Qua 23 Set 2009 - 22:54

“15 de setembro

Cheguei ao Santuário hoje. É tudo tão lindo! Ainda que esteja completamente devastado e em ruínas, ostenta sua magnificência - ou, talvez, seja apenas a memória de Athena dentro de mim me dizendo como era antes...

É confuso demais. Eu não me sinto como Athena! Sinto-me mais como uma japonesa posta para encenar uma peça inglesa, sem nem ao menos saber falar tal língua... Ainda assim, todos me olham nos olhos e me reverenciam, como se eu fosse a vela recém acesa na escuridão eterna da espera. Bom, quem sabe seja só uma questão de costume...


18 de setembro


As coisas andam movimentadas por aqui! Mais e mais pessoas aparecem para me saudar, me reverenciar, agradecer por minha existência... O que mais posso fazer além de sorrir e abençoar? Sei que é feio enganar os corações que creem tanto em mim, mas não tem como eu dizer como me sinto de verdade, certo?


21 de setembro


Hoje, finalmente, tive a oportunidade de conversar com o Mestre do Santuário a sós, ainda que tenha sido por cinco minutos. Achei-o meio tímido,
demo hountou ni yasashii (mas um doce). Ah, que saudades do Japão, de Lyra e de Gunnr! Enfim. Caos é seu nome, ao que parece - mas já ouvi tantas histórias, tantos boatos, que não sei direito. São tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo, tantas vozes gritando dentro do meu peito!


27 de setembro


Ah, enfim posso
respirar. Parece que minha chegada agitou o Santuário e os arredores! Hoje, enquanto andava pela vila - Rodorio é o nome, um lugarzinho muito aconchegante que lembra minha cidade na Inglaterra -, descobri que era esperada por todos! Eles cantaram em minha homenagem, ou em homenagem à Athena em mim, ofereceram presentes, sorte e hospitalidade. Ainda que não tenha me acostumado à idéia de ser a reencarnação de uma Deusa, gosto de ver como a fé ainda é forte por aqui. Motiva-me, dá-me forças para enfrentar meus próprios medos.

Junto dos habitantes do vilarejo, vi vários rostos conhecidos que passavam pelo local, mas um cavaleiro em especial me chamou a atenção - eu nunca havia dirigido-lhe a palavra antes, seja para abençoá-lo, seja para cumprimentá-lo. De fato, eu não o conhecia, mas podia sentir seu cosmo fluindo até mim. Ouro.


31 de setembro


Descobri quem era o cavaleiro desconhecido! Draixen, cavaleiro dourado de Gêmeos. Não sei porque não o havia encontrado ainda, mas o fato é que seu jeito me deixa sem graça. Seus olhos são tão profundos... Prendem-me; não consigo resistir. Uma hora, achei tê-los visto diferentes, mas pode ser apenas minha imaginação... E também, há algo nele que me é familiar, como se o conhecesse...
Doushite? (por quê?)

Ando tão cansada esses dias! Meu corpo humano às vezes não consegue acompanhar o ritmo por aqui. Mas devo ser forte, em nome de todos que acreditam em Athena!



Uma pequena pausa, minha cara.

E então? O que pensa sobre o que leu até aqui?
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MensagemAssunto: Re: Templo de Atena   Sab 26 Set 2009 - 19:50

É confuso demais. Eu não me sinto como Athena!

– Tampouco eu me sinto, Karen...

Falei para aquelas linhas como se visse a antiga encarnação ali. Senti – e ainda sinto – um grande pesar, porque eu sabia exatamente pelo que ela estava passando. Mesmo que não houvessem cobranças diretas, o peso sobre os ombros da deusa é enorme: não se pode “ser quem você realmente é”...

Você quer ser livre para tomar suas decisões sem pensar em mais nada além de si mesma...

Mas não pode. Há que se pensar em todas as conseqüências de seus atos, não para si, mas para todos os outros. Não é permitido a um deus ser minimamente egoísta, como aos humanos é possível.

Mas aí vem a pergunta, que me faço todos os dias: e por acaso Athena não vive num corpo humano? Ah... Quem disse que eu, Ágatha, me governo? Vivo atormentada por lembranças de um passado que eu não vivi, seguida por sombras de guerreiros que não foram meus. E escuto vozes longínquas, gritos dos que foram mortos em batalhas que não comecei...

Essas lembranças são de Athena. E Athena tem de ser perfeita aos olhos dos que lhe dignam lealdade, confiança, amor até. Todas as ações da deusa, não importa se feitas por Ágatha, ou Karen, ou por quem quer que venha a ser, são analisadas de perto por olhos muito atentos. E esses olhos não desejam ver falhas, ah, não...

Esses são os olhos dos que veneram a deusa, dos que esperam dela a salvação. Como alguém que inspira tanta esperança nas pessoas, como alguém que lhes mostra o caminho a seguir pode ter defeitos? A divindade tira toda e qualquer possibilidade de aproximação com o caráter humano, tão cheio de imperfeições...

É por isso que Karen escreveu aquele livrinho. De certa forma, ela “só era ela” quando escrevia ali. Aquele diário representava uma válvula de escape; ali ela poderia contar, como que para um amigo, o que ela, como mulher, passava, como ela via o desenrolar dos acontecimentos; ali poderia expressar seus melhores e piores sentimentos, sem sentir que lhe eram dignados olhares de desaprovação.

Por um momento, senti inveja dela. Invejei-a porque ela tinha quem lesse suas memórias, tinha quem soubesse que ela, além de deusa, era também mulher. E sofria e chorava como uma mulher. E tinha dúvidas, anseios... tinha saudades... Agora, quem saberia de minhas angústias? Quem saberia de meus amores? Quem se interessaria em conhecer a minha face imperfeita?


- Sentimento ruim para um deus, a inveja... – disse mais uma vez às páginas, quando acabava de lê-las. Seria influência dos olhares aquele pensamento? Certamente que sim...

Por outro lado, também me senti bem lendo aquilo. Karen confiou seus segredos a mim, como se me conhecesse, como se soubesse pelo que eu passaria. Como se soubesse, inclusive, que eu me lembraria do amor que ela sentiu.

Entretanto, aquelas primeiras páginas não me esclareceram as coisas. Deixaram-me curiosa, isso sim; sabia que até aquele momento Karen conhecera os homens a quem passou a amar, mas... o que despertou nela o amor pelos dois? Ainda tinha essa dúvida. Avancei algumas páginas, então, e recomecei a leitura.
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Karen

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MensagemAssunto: Re: Templo de Atena   Ter 20 Out 2009 - 15:21

Avancemos mais um pouco, então.

“17 de novembro

Otou-san, doushite?! (pai, por quê?) Meu coração bate tão forte quando estou perto de Draixen! Hoje ele me trouxe, orquídeas roxas que pegou no jardim da casa de Peixes. O pisciniano acaba de sair daqui, furioso porque mexeram em seu jardim sem sua permissão (mas, quando me viu segurando o ramalhete, com as maçãs do rosto avermelhadas e os olhos marejados por um motivo que nem eu entendo, pensou melhor, decidiu não brigar e foi embora um sorriso). Eu não soube como reagir; minhas mãos ainda tremem, e nem sei por quê! Queria tanto que você estivesse aqui para me aguiar, como sempre fez, otou-san!


25 de novembro
Otou-san, tanjoubi omedetou! (parabéns pelo aniversário)

Ah, sinto tantas saudades do Japão! Queria poder me corresponder com Lyra e Gunnr, saber notícias delas, por onde andam, se acharam alguém a quem pudessem se entregar de corpo e alma como sonhamos tantos anos atrás, quanto eu ainda não tinha tantas memórias que não são minhas a me preencher o peito...

Otou-san, não sabe como seus carinhos, seus conselhos, seu amor me fazem falta! Seria tão bom poder abraçá-lo, ainda mais hoje em seu aniversário! Que meus votos de felicidade te alcancem, onde quer que esteja!

E, hoje, Draixen me trouxe orquídeas novamente. Não posso deixar de sorrir ao vê-lo. Algo aqui dentro bate forte, quente, acolhedor, algo que só surge ao seu lado... Afinal de contas, como ele descobriu que orquídeas são minhas flores favoritas?


29 de novembro

Descobri de onde vinha a familiaridade que senti pela primeira vez ao ver Draixen: Caos se move, fala e meneia a cabeça de um jeito tão semelhante que poderia jurar que fossem irmãos! Hoje, enquanto conversava com meu Grande Mestre (numa das raras ocasiões em que posso me dar ao luxo de parar e me divertir com alguém), o geminiano se anunciou, dizendo que queria me relatar os resultados da expedição de reconhecimento através das montanhas que rodeiam o Santuário. Ele se juntou a nós e, em pouco tempo, falávamos sobre música e poesia! Enquanto me contavam suas preferências, pude perceber o modo como me olhavam, como pousavam as mãos, ah, são tão idênticos! Quero investigar isso mais a fundo. E Caos é uma companhia tão prazerosa! Gostaria de poder passar mais tempo a seu lado. Sinto que nós três podemos nos tornar bons amigos! Quer dizer, isso se a palpitação crescente que me atormenta ao lado do dourado de Gêmeos permitir...


30 de novembro

Oh, Caos é tão doce! Falávamos sobre a expedição novamente hoje, e ele fez questão de ir cumprimentar os que se arriscaram por terrenos tão traiçoeiros! Passamos a tarde inteira em Rodorio, pois eu também quis ver meus cavaleiros, e o Grande Mestre fez com que o passeio fosse tão agradável! Ainda que ficasse sem graça em minha companhia de início, e que conserve a timidez que lhe é inerente, age com total responsabilidade e demonstra prazer no que faz. Pelo que entendi de minha vida de Athena até agora, isso é o mais importante!

É muito fofo o modo como se refere a mim. Enquanto falávamos das amazonas de bronze, eu comentei como eram esbeltas, como eram fortes e ao mesmo tempo conservavam sua elegância, e ele não pôde deixar de concordar; em seguida, acrescentou “embora não se comparem à sua belez—“, percebeu o que falava, virou o rosto e não falou mais nada até voltarmos. Levou-me aos meus aposentos e teria saído depois do “tchau”, se eu não o tivesse convencido a ver o dia amanhecer comigo. Ele vem me buscar em meia hora. Talvez eu consiga chamar Draixen?

Otou-san, ultimamente não consigo me concentrar em mais nada! O geminiano e o Grande Mestre ocupam minha mente constantemente! Ao mesmo tempo, vejo memórias que não são minhas em meus sonhos... Vejo mulheres de longos cabelos roxos e olhos glaucos nos braços de cavaleiros... Duas, em especial, têm Pégasus em seu colo, e acariciam-lhes o cabelo, e olham para eles com tamanha ternura que.. Não entendo! O que há? Ah,
moo, por que você não está aqui para me ajudar?“


Oh, pobre Karen! Ao que parece, seu coração se apaixonara muito antes de sua mente assimilar tal informação; e o cargo de Athena deve ser tão pesado, é perigoso se distrair desse jeito!

E o seu pai, Ágatha? É tão importante para seu lado humano quanto o de Karen lhe era?
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MensagemAssunto: Re: Templo de Atena   Sab 31 Out 2009 - 12:28

Apreciei a leitura, vendo que Karen importava-se muito com a família. Dirigia-se ao pai com muito carinho, inclusive contando-lhe "segredinhos" sobre suas paixões. Pensei, por um instante, que aquela moça era muito mais parecida comigo do que eu pensava...

Apesar de ser um homem apreciador da disciplina, da retidão, ainda assim (por mais que tentasse esconder dos outros) é também um pai amoroso. Duro, e às vezes até rude com as outras pessoas, comigo sempre é mais brando... Quando pequena, valia-me disso para conseguir livrar-me dos castigos que me seriam dados pelas travessuras que fazia.

Mas com o tempo, fui entendendo que aquele "coração mole" não se devia apenas a ser meu pai: antigo cavaleiro, Heitor respeita e ama profundamente a deusa que vive em mim. Além do mais, foi-lhe dada a missão de me proteger, de cuidar de mim, de me educar e me preparar para o que viria. Por isso, mesmo sendo menina um tanto levada, nunca me levantou a mão ou sequer a voz.

E hoje, adulta, entendo o porquê de meu pai, apesar de não concordar com muitas de minhas posições, jamais me questiona. A sua deusa fala através de mim, e não é certo duvidar ou ir contra ela. Foi por esse motivo que, apesar de estar descansando, deixou-me sozinha na câmara a meu pedido.


//Papai...// - pensei naquele senhor alto, de cabelos azuis claros e longos, a caminhar por aí com as mãos nos bolsos...

É claro que, sendo também PAI, dá-me conselhos de todas as ordens, e forças e coragem quando eu preciso. Não foram poucas as vezes que seu olhar carinhoso animou-me em horas difíceis. E apesar da reclusão na infância e adolescência, para não levantar ao inimigo suspeitas de onde vivíamos, nunca fui infeliz: o amor entre nós é tão grande que nos fez suportar os anos longe do mundo; nada me faltou.


Otou-san, não sabe como seus carinhos, seus conselhos, seu amor me fazem falta! Seria tão bom poder abraçá-lo, ainda mais hoje em seu aniversário!

- Ah, pobre Karen... - disse para o livrinho, a pensar que fui muito mais sortuda do que ela ao vir para o Santuário acompanhada do homem que, sem dúvida alguma, jamais me abandonará.

Quis largar o diário e correr para os braços de meu pai, como fazia quando pequena... Mas também queria ficar, queria saber mais de Karen e do que ela queria me dizer. Queria entender quem eram Lyra e Gunnr. Seriam amigos, irmãos?

Porém (e sobretudo), queria saber também o que mais ela tinha a dizer a respeito de seus amores. Era interessante ver as palavras dela dizendo das delicadezas de Draixen e Caos... Parecia que os dois gostavam mesmo dela, e que procuravam, constantemente, estar perto da deusa. E ela parecia realmente encantada com eles:


O geminiano e o Grande Mestre ocupam minha mente constantemente!

Geminiano.

Mais uma vez, lembrei-me de Daros e do beijo que trocamos. Aquela situação não foi por nós provocada... então porque é que eu não parava de pensar naqueles lábios doces? Estaria eu também me apaixonando por um cavaleiro de Gêmeos?

Procurei concentrar-me nas últimas palavras de Karen, que falavam sobre memórias que não eram dela. Dizia ela ver mulheres de cabelos longos roxos e olhos glaucos com cavaleiros nos braços...


//Será que é destino de Athena apaixonar-se por seus guerreiros?//

Avancei algumas páginas, procurando respostas para essa pergunta. Havia começado aquilo, e iria até o fim.
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